Este projeto de extensão cultural propõe a elaboração de um mapeamento participativo e digital do Bairro Parque das Nações, situado no 2º subdistrito de Santo André, nas proximidades do campus da UFABC. A proposta articula políticas culturais, engajamento comunitário e o uso de tecnologias digitais.
A ação fundamenta-se no conceito de mapeamento como uma ferramenta de inscrição cartográfica destinada a sistematizar informações sobre referências culturais vinculadas a territórios e/ou comunidades. Para isso, utilizar-se-ão laboratórios vivos, isto é, um instrumento metodológico que usa ambientes de experimentação social, nos quais a comunidade atua como cocriadora do conhecimento. Nesse contexto, os laboratórios vivos funcionam como espaços abertos de inovação social, que integram metodologias participativas e ciência cidadã.
Por meio deles, práticas como oficinas e narrativas etnográficas possibilitam a produção de conhecimento em rede, resultando na preservação, circulação e reinterpretação das memórias coletivas em linguagens acessíveis às diferentes gerações.
Considerando a importância de práticas que promovam a cidadania e inspirando-se nos princípios da gestão pública participativa, o processo de execução do estudo será desenvolvido em parceria entre o Departamento de Bibliotecas, Preservação e Memória da Secretaria de Cultura de Santo André e o Observatório da Saúde e do Bem Viver do ABC, Núcleo Estratégico de Pesquisa da UFABC.
A Secretaria de Inovação e Tecnologia de Santo André, que dispõe de um data center de última geração, é um parceiro importante para a institucionalização dos resultados obtidos, pois congrega as ferramentas de política de governança digital do município e é capaz de realizar a integração das bases digitais de informação cultural.
A iniciativa mobilizará discentes, docentes, servidores técnico-administrativos, colaboradores terceirizados, agentes públicos da administração municipal, em especial aqueles vinculados às Secretarias de Cultura e de Inovação e Tecnologia, e, sobretudo, a comunidade do bairro, que assumirá papel de protagonista na produção, validação e circulação das informações levantadas. Dessa forma, busca-se assegurar a representatividade plural e a inclusão de grupos historicamente invisibilizados.
Como resultados esperados, projeta-se a consolidação de um modelo replicável de difusão da memória social e de fortalecimento da cidadania cultural, que posteriormente deverá ser estendido aos demais bairros, capaz de potencializar o papel das Secretarias envolvidas e de ampliar a governança intersetorial entre diferentes áreas da administração pública.
Busca-se, assim, promover a memória e a cultura como fundamentos para uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva, em que o passado é continuamente reinterpretado para orientar ações no presente e projetar futuros voltados ao bem-estar coletivo. Nesse processo, a memória deixa de ser apenas registro estático e assume caráter dinâmico, como prática viva de identidade, pertencimento e transformação social.
Ademais, a iniciativa pretende enriquecer o debate teórico-metodológico sobre patrimônio, memória e democracia cultural, ao mesmo tempo em que gera benefícios dialógicos à sociedade. Esses benefícios correspondem aos ganhos produzidos pelo diálogo entre universidade, poder público e comunidade, que, ao interagirem, constroem novos significados, ampliam a compreensão coletiva e aperfeiçoam a capacidade de ação conjunta. Esse processo não apenas valoriza a diversidade cultural local, mas também cria condições para que múltiplas vozes sejam reconhecidas e incorporadas às políticas públicas.
Coordenadora
Elaine Moraes De Albuquerque - Secretaria de Cultura de Santo André e UFABC